Virose Alienígena

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Ficar doente é uma droga mesmo.Passava pouco mais das 4hrs da manhã quando acordei hoje, com uma poça de catarro enorme no meu travesseiro. Provavelmente me engasguei em algum momento durante o sono, e meu cérebro me acordou antes que eu me afogasse. Com o pulmão gordinho e a cama um tanto quanto peguenta, não consegui mais pegar no sono e fui pra net!

Deu tempo de ver uns três meses de atualizações no feed de notícias, até que minha mãe chegou no quarto cantarolando num tom oitenta vezes mais alto e mais desafinado que o normal. Acordou minha irmã, acordou meu pai e todos resolveram reclamar e me mandar fazer alguma coisa. Imagine você, com uma ressaca de Carreteiro, acordar no outro dia com o trio elétrico do McSheldon, do lado da sua cama, tocando num volume quarenta e oito milhões de vezes mais alto do que é permitido para um ouvido humano! Pronto, a sensação era exatamente essa!

Se eu tivesse com uma fratura exposta no crânio, ou uma doença mental degenerativa, duvido que iriam me tratar assim! A verdade é que ninguém respeita a virose de ninguém. A galera te vê limpando o nariz na blusa e julga você como uma pessoa que merece fazer as tarefas da casa. Eles confundem virose com preguiça. No lugar de quererem te ver repousando pra não morrer, ficam com inveja porque agora você vai poder ficar de boa em casa, enquanto eles vão pra labuta. Daí que, por raiva da sua situação, começam a te escravizar: mandam você forrar a cama, varrer o quarto, tirar o prato da mesa, abrir a janela pra ventilar e acham ruim quando você diz que ta totalmente inválido.

Mas não é só o povo aqui de casa que não respeita essa enfermidade. Ontem, quando tava com dor na garganta, fui pedir pra uma médica, amiga minha, me receitar algum remédio pra tumor ou coisa do tipo. Depois de me examinar, concluiu: “Ah! É só uma virose. Faça gargarejo com água e sal.”. Como água e sal vão me curar? Não dá pra acreditar nesses tratamentos. Tomo água e engulo sal todo dia, e isso não me impediu de pegar a doença. Porque agora essa mistura vai surtir algum efeito?

Pois é, não vai! Eu entendo a incompetência da medicina, nesse caso, até porque todos nós sabemos que virose não é doença. O vírus é um ser alienígena microscópico que veio ao nosso mundo com o objetivo de conhecer a mente de todos os humanos pra poder, é claro, dominar o planeta. O plano é bem simples: o alienígena entra no hospedeiro e, enquanto faz um backup do cérebro do indivíduo, usa o nariz do mesmo para clonar milhões de outros alienígenas. Enquanto o backup é feito, os alienígenas clonados são lançados em forma de espirro na busca por novos hospedeiros.

Na prática, isso tudo quer dizer que não importa se você gargareje água com sal, ou tome o lambedor milagroso da sua avó. De toda forma você vai ter que esperar os alienígenas terminarem de fazer o que tem que fazer e torcer pra que eles não danifiquem seu HD!

Não tive escolha, passei o dia em casa! Com cabelo de Edward-mãos-de-tesoura, pijama rasgado, catarro pingando no lençol. Resolvi usar a virose à meu favor: entrei no bate papo da UOL com o Nick “menina dodói”. A palavra “dodói” funciona melhor do que “linda”. De alguma forma, homens acham que a gente fica mais bonita doente. Bem, usei à  meu favor e já adicionei uns oito médicos hoje no meu MSN. Todos dispostos a me tratar com medicina alternativa de beijos e abraços. Tnks, aliens, minha virose não será em vão!

Daniela Neves

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Vruumm

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Se você estivesse de frente pra um armário e de dentro dele saísse um Bicho Papão, qual seria o pensamento feliz que você teria pra conjurar um patrono? Por muito tempo fiquei sem ter essa resposta. Provavelmente seria uma péssima aluna em Defesa contra as Artes das Trevas naquela época. Mas o mundo gira, o mundo é uma bola e hoje eu conseguiria não só responder essa pergunta como, também, conjurar um patrono muito mais aceso que o viado de Harry!

Ontem eu tava comendo espetinho de gato, lá em BV, perdida em pensamentos, quando uma amiga perguntou: “tas pensando em que pra ficar com essa cara de cu-feliz?”. Eu estava relembrando um momento bem masculino pelo qual eu tinha passado há pouco na estrada.

No caminho pra pegar as meninas pra ir pro espetinho, liguei o som na jo-vem- PAM, ou MIX-mix-MIX (não lembro bem), aumentei o volume até o carro tremer, parei no sinal ao lado de um Corola (desses novos) e marquei corrida. Saímos pareados até certo ponto, e meu motor 1.4 junto com meu salto 14 bateram o motor 1.8 dele, chegando com 1,43 segundos de diferença no próximo sinal. Senti que ele tinha percebido que eu estava apostando quando ele emparelhou bruscamente comigo no segundo sinal pra, logo em seguida, sair cantando pneu. Pena que meu caminho era diferente. Cortei a brincadeira reduzindo numa curva na qual ele passou direto. Continuei costurando os motoristas distraídos e me esguelando de cantar “Toniiiiiiiiiight, We are youuuung, So let’s set the world on fireee, We can burn brighteeer, than the suuun uouooo”. Relembrar isso foi o que me fez ficar com cara de cu-feliz.

Particularmente, gosto de dirigir à noite, depois das 10h, e sozinha. Nessa hora o trânsito é mais selecionado, não tem tia-avó dirigindo a 20 por hora, nem pedestre suicida, taxista inconveniente e motoqueiro carente alisando nosso carro. De noite, nem eu enxergo bem e nem ninguém humano enxerga! Se você não tiver um poder peculiar, vindo de uma mordida, de um arranhão ou de outro mundo, você também não verá de imediato um pedestre, que, por sinal, não emite luz (bom salientar), se jogando na frente do seu carro e terá, decerto, que frear bruscamente pra não atropelar o animal.

As pessoas acham que deu pra passar porque aceleraram o passo. Ninguém reconhece nosso reflexo e habilidade com o freio do carro. O mesmo vale pros motoqueiros, que supõem que desviam da gente, quando na verdade nós é que deixamos eles passarem. Antes das 10h, a gente dirige pra não matar. Matar amassa o carro e dá prejuízo financeiro. Se você não for filho de Eike Batista, vai ligar pra esse detalhe.

Dirigir pra não matar significa andar na velocidade da via; botar o som numa altura razoável, que dê pra escutar o bi-bi do motoqueiro ultrapassando pelo lado direito, e prestar bastante atenção nos suicidas. Isso é necessário, mas é chato!

Acredito que a partir das 10h da noite, as pessoas pressupõem que os motoristas estarão bêbados e evitam, sabiamente, se matar. Com cada um cuidando da sua própria vida, e tirando essa responsabilidade dos nossos ombros, dirigir fica muito mais legal. Nossa única preocupação passa a ser desfrutar uma boa ultrapassagem, cantar e dançar enquanto encostamos o pedal do acelerador no chão do carro.

Companhia é bom mas geralmente distrai a gente, além de ser mais uma vida que você pode acabar enquanto corre. Por isso prefiro dirigir só; e acredito que, no fundo, vocês também preferem não morrer.

Esses poucos momentos de Velozes e Furiosos me garantem as lembranças felizes, necessárias pra conjurar direitinho um patrono, que provavelmente seria no formato de um cavalo. Eu disse um? O certo seria: 140 cavalos, câmbio automático, tração 4×4 e freios ABS! Rá! Não teria Dementador que me acompanhasse!

Daniela Neves

ah, Olinda!

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Pra mim, carnaval sempre foi aquela semana sem muito o que fazer, em que os supermercados se preparavam para a melhor data do ano: a páscoa! Quando era criança, ainda construía, junto com meu pai, super bombas lançadoras de água feitas de cano de PVC. Ouvia boatos de ovos enterrados há anos que seriam lançados pelas forças inimigas. Era divertido, mas eu não via como “carnaval”, aquilo era guerra!

Até os 16 eu não tinha bocão pra sair de casa e nem amigos pra incentivar, então meu carnaval era pela TV mesmo. Quatro longos dias de escola de samba, e alguns flashes de Olinda entupida de gente! Não me via desfilando em escola de samba, porque beleza pra sair como destaque eu não tinha, e como o bullying em gente feia era obrigatório naquela época, eu só conseguia me imaginar sendo botada pra desfilar como árvore atrás do carro alegórico.

Por outro lado, quando ouvia o pessoal comentando da multidão, do empurra-empurra, das drogas, do sol, da promiscuidade, do inferno, da violência que rolava no carnaval de Olinda, minha imaginação ia longe. Ali era o meu lugar! Anotei na lista das coisas a fazer antes dos 30, junto com pular de para quedas, ir pra uma praia de nudismo e beijar na boca, é claro. Deixei guardado por seis longos carnavais, até esse…

Como não tinha me programado pra chuva, a sexta já não rolou, minha cama grudou e não tive como separar, sorry friends. No sábado de carnaval, nosso objetivo era o galo, mas esquecemos de fazer amizades úteis durante o ano e não desenrolamos camarotes. Acabamos em Olinda… ou melhor: nos acabamos em Olinda!

Gente, gatos, árvores, passarinhos… Seja a raça, sexo, espécie que for, se seu objetivo é dar um up na auto-estima vá pro carnaval de Olinda! Nunca levei tanta cantada na vida, obrigada Skol! Pra quem quer pegar Gengivite, Faringite, Laringite, Amigdalite, Herpes, Mononucleose, Hepatite, HPV, Meningite, Uretrite, Candidíase, Gripe, Tuberculose, Sífilis e Gonorreia, bocas não vão faltar. Muitas até tentadoras, por sinal, mas vai saber né?

Ah, eu não sou uma velha ranzinza cheia de bloqueios, só tenho um pouquinhozinho de nojo, né, gente?! Mas, enfim, me acabei em Olinda! Não de doenças, nem de cachaça (nada contra), mas de subir e descer ladeiras pulando no empurra-empurra, do calor (humano e extraterrestre), de rir das fantasias escrotas, das cantadas ridículas e das palhaçadas dos amigos!

Foi, de longe, o carnaval mais divertido e inusitado que já tive, até o ultimo minuto da terça-feira!  Tnks friends, tnks Olind… Ah, Diaba! <3

Daniela Neves

A magia do natal

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Fim de ano chegando, o marketing de natal começa a fazer efeito na cabeça das mães. Não me espantaria nada se descobrisse que a mídia inventou essa caridade de fim de ano pra que minha mãe, na caçada por doações, invadisse meu guarda-roupa e descobrisse todo o meu universo de roupas antigas, fora de moda e descosturadas. Num golpe de muita sabedoria a equipe de marketing implanta nas nossas mães a motivação para doarmos nossas roupas confortáveis e ao mesmo tempo disparam a necessidade de se adquirir roupas novas!

Pois é, minha mãe, que não é diferente da mãe de ninguém, acabou me obrigando gentilmente a comprar roupas. Tentei argumentar que eu precisava juntar meu salário mínimo pra comprar meu relógio com monitor cardíaco, que eu precisava trocar meu ching-ling por um Nokia N8 e meu Vem Trabalhador por uma BMW série 1! Não teve jeito, como acontece todo ano, ou eu comprava a porcaria da roupa de natal ou eu apanhava.

Foi nesse clima de ameaça, medo e tensão que eu tive uma genial idéia: “oras, se eu sou designer e design é a arte de projetar… eu vou é fazer a minha roupa!”. E antes que vocês me perguntem: não, eu não sabia costurar, mas sou fera no Youtube! Daí que eu aluguei uma amiga e me aproveitando de um lapso de disposição dela, me danei pro centro da cidade atrás do tecido perfeito pra minha roupa de natal. Enfrentamos um sol de meio dia num passo de galo da madrugada pra conseguir comprar os dois tecidos mais bonitos do mundo, tudo custou uma bagatela de VINTE REAIS.

Certo, eu já sabia que iria fazer ou uma saia ou uma blusa, mas qual modelo? Fui no Google estudar sobre moda, modelagem e o caralho. Consegui achar modelos legais de roupas, com caimento perfeito, que juntando com uma sandália, um cinto, uma bolsa, um colar, umas pulseiras, uns brincos legais, ficariam incríveis!

Fui no shopping atrás dos meus acessórios. Achei o colar da moda, um brinco legal uma pulseira linda e… e isso já deu 120 reais. Certo, o dinheiro acabou mas a bijuteria tinha que servir!

De volta a minha pesquisa das roupas, notei que meu corpo estava um pouco incompatível com o da modelo que vestia a saia perfeita, ou com o da outra modelo que tava usando a blusa incrível. Eu disse um pouco? Eu estou uns quinze números acima do número delas!

Meu esforço não será em vão! Hoje comecei uma dieta daquela que as únicas restrições são às comidas gostosas, entrei numa rígida disciplina de acordar todo dia as 5:30 da manha pra fazer abdominal, vou correr na praia meus 5km! E é isso, vou chegar no natal sem dinheiro porém bonita e bem vestida, porque afinal não é qualquer data, é natal!

Daniela Neves

Mentiras

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Dia desses eu li no Facebook de uma amiga: “prefiro a verdade que fere do que a mentira que consola.”. Wait! Vamos pensar com calma antes de curtir qualquer publicação né gente? Primeiro: porque diabos você vai preferir uma coisa que te faz mal? E segundo: você está partindo do pré-suposto de que você sabe ou vai saber algum dia que a mentira não é verdade, certo?

Eu entendo que a palavra “mentira” é bastante forte pra muitas pessoas uma vez que rima com a palavra “enganado” que tem como sinônimo a palavra “otário”, mas e se a mentira for bem contada? E se você não tiver como descobrir? Uma vez consolado com uma mentira bem contada, você achará que está vivendo uma verdade, pronto, você não vai ser otário já que não tem a consciência de que é um! Ou seja, viver numa ilusão só é ruim se você souber que está vivendo numa ilusão, caso contrário, a ilusão será realidade. Eu não li, mas Freud deve explicar. Vamos ao que interessa…

Traição, gaia, chifres, eu enrolei mas todo mundo sabe que quem curte esse tipo de comentário está com medo de ter levado uma gaia-roxa que todo o Brasil assistiu e não quer contar. Desista, ninguém vai contar! Até porque você muito provavelmente vai perdoar a pessoa depois que ela confessar, afinal, ela foi sincera ne?!

Tem muita gente que tem problemas em não guardar rancor das pessoas, elas simplesmente distribuem pontos positivos pras verdades contadas e conseguem perdoar as mentiras! E isso eu não entendo! Certa vez um cara veio me xavecar, quando dei uma ré ao saber que ele era comprometido ouvi o seguinte: “mas eu falei a verdade! Podia ter dito que estava solteiro”. Não é porque você é idiota e está me contando uma verdade que você vai deixar de ser idiota, antes fingisse não ser um.

Particularmente eu não gosto de mentir, na verdade eu não sei mentir, mas isso é muito diferente de “não gostar de mentiras”. Não posso negar que admiro sim uma boa mentira, se bem contada e, principalmente, bem escondida de mim, só dará trabalho a quem a guarda. Se eu perdoaria um chifre? Claro! Se eu nunca souber, considere-se perdoado! E é isso, enquanto as mentiras forem verdades pra mim, está tudo certo!

Daniela Neves

Coragem

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Sabe aqueles filmes de guerra, ou de luta, ou medievais, aqueles em que o pessoal faz questão de ser humilhado, torturado e morrer pelos seus? Pois é, taí uma coisa que nunca entendi.

Tem aquelas superproduções, estilo medieval, em que o mocinho tem que esconder o anel de todo mundo, pra só queimar no final do filme. Tudo certo quando o anel é seu, você pegou o papel principal e vai ganhar muito mais do que o resto do elenco, mas vocês já se imaginaram na pele do gordinho, amigo de Frodo? No papel de coadjuvante, o cara tem que passar fome e sede, rodar todo o universo fértil de Tolkien fugindo de um exercito de loucos obcecados por anéis, tudo em nome do amor ao seu amigo Frodo!

Acho corajoso quando a pessoa se sacrifica pelo amor ao próximo, é até bíblico, mas é claro que isso nunca passou pela minha cabeça! Pro primeiro Ogro que me ameaçasse eu entregava Frodo sem culpa nenhuma! E se ele falasse um pouquinho mais grosso comigo, entregava também Legolas, Gandalf, Aragorn, Harry Potter, Roni, Hermione, etc…

Não sacrificaria meu lindo corpo juvenil por seu ninguém, muito menos pela pátria! Sacrifício esse que a gente vê muito em filmes de guerra. E não precisa voltar pro Resgate do Soldado Ryan pra reparar. Aquelas guerras na rocinha, por exemplo, o exercito de Coronel Nascimento é treinado comendo resto de comida no chão, levando tapas na cara e ouvindo berros, pra enfrentar traficantes que queimam playboys por diversão.

Aí eu fico me perguntando, o que leva uma pessoa a ter coragem? Sim por que reconhecimento você só vai ter depois de morto. Também não deve ser por dinheiro, porque tá cheio de profissão pagando a mesma coisa sem ter que enfrentar arma na cabeça em ambiente de trabalho. Então só consigo supor que isso é de nascença mesmo. Pessoal nasce corajoso. Eu não nasci!

Assisto Voldemort mandando ver na maldição cruciatus e fico pensando “porque esse filho da puta não fala logo?”… ou inventa logo! A galera quer ser sincera até na hora de apanhar! A matemática é simples: o bem sempre perdoa e o mal sempre se vinga. Ou você fica do lado de Voldemort e se Harry ganhar ele te perdoa, ou você fica do lado de Harry e se Voldemort ganhar ele te manda uma Avada Kedavra.

Contudo, a gente sempre vai ter um terceiro lado pra escolher: o lado da nossa pele! E pra lutar por esse lado, vale ficar amigo do lado mal, mentir pro lado bom, virar espião dos dois e acabar com seu nome no filho de Harry Potter! Snape, sou sua fã!

Nada pessoal, mas eu escolho o terceiro lado, e se é pelo bem da minha pele, coragem não vai faltar.

Daniela Neves

Dani Surfistinha

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A algum tempo atrás tive a grandiosa oportunidade de ver o filme da Bruna Surfistinha e pude notar que puta é uma trabalhadora como outra qualquer. Na verdade nunca achei que prostituição fosse essa coisa toda do capeta que o pessoal fala, é só uma questão de preconceito cultural. E não, eu não sou puta, sou designer, mas é quase a mesma coisa.

Quando criança eu ficava me imaginando puta no caso de não conseguir passar no vestibular, ou se não arrumasse emprego, ou se eu fosse parar na internet num vídeo fazendo… enfim, ser puta sempre foi uma segunda opção na minha vida! Não era uma meta, nem um sonho, era só um meio de ganhar dinheiro se nada desse certo.

Sim, como toda profissão tem seus riscos de acidentes. Cancro mole, gonorréia, herpes, AIDS, são só algumas das doenças que se pode pegar caso não use o EPI direitinho. Mas se for analisar, tudo isso você poderia ter pego no Galo, já fez os testes? Trabalho nenhum vai te deixar imune de enfermidades! Eu mesma, sendo designer e passando oito horas por dia na frente do computador fazendo movimentos repetitivos, já começo a notar alguns problemas: hérnia de disco, problemas de visão, tendinite, obesidade mórbida e por aí vai!

Não sou frustrada com minha profissão, adoro desenh ser designer, aliás, não adoro não, eu adoro é trabalhar! Adoro ter meus milhões no bolso no fim do mês, poder comprar a lua parcelada em 12 vezes sem juros no meu HiperCard, sair de casa com meu R$1,50 da coxinha já garantindo o almoço do dia! Gosto de ser assalariada, do sofrimento pra pagar as dívidas, do medo de perder o emprego, da vontade de matar o chefe, da necessidade de aprender coisas novas, de escravizar estagiários… acho que nasci com vocação pra ser peão!

As vezes bate aquela tentação de fazer como a Bruna, trabalhara, trabalhar, trabalhar, se aposentar, escrever um livro e viver de renda! Pelos meios da lei eu teria que esperar mais 29 anos pra me aposentar, mas eu poderia burlar o sistema peonário e passar num concurso da receita, virar política ou casar com um homem rico e depois… e depois? Salões de beleza, academia, viagem, carro novo, um filho, um poodle, roupas novas, salão de beleza, academia, viagem… Até porque ninguém quer ser rico pra poder ser intelectual né?! Muito pelo contrário, a gente quer estudar e trabalhar bastante, pra conseguir juntar fortuna e finalmente: poder ser fútil!

Não vou ficar aqui discursando o quanto é ruim ser rico porque não tenho muitos argumentos, só acho que é vergonhoso você ficar no ócio. A Bruna mesmo achou isso! Depois que percebeu que sua vida de adotada-por-família-rica seria um tédio, decidiu, aos 17 anos, meter a cara no mundo, não só a cara ne?! Só não entendi porque no final, resolveu trair o movimento e voltar a vida fácil!

Enfim, como eu passei no vestibular, consegui um emprego, não saí em nenhum filme e não cobrei desde os 17, serei designer mesmo! Pelo menos durante as próximas trinta décadas! Viva!

Daniela Neves