Declaração

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Tenho que concordar com vocês quando dizem que eu não sou das mais românticas criaturas que habitam o Planeta-Terra-cor-de-rosa. Não sou! Várias vezes já defendi aqui meu ponto de vista de pessoa fria, insensível e mal amada. Contudo, nesses últimos tempos a flor roxa que nasce no coração dos trouxas aflorou em mim novamente, e foi grave! Coisa de me pegarem num ônibus lotado cantarolando música de pagode junto com o cara do celular.

Só posso concluir que isso é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é … ok Camões, senta lá. Pois é, eu caí mesmo de quatro nas armadilhas do amor, já podem me zoar!

Já devem me zoar, até por vingança mesmo! Agourei namoro de muita gente do Orkut! Humilhei vocês no Twitter, xingando os Nicks de amor que vocês atualizavam! É, fui bem levada! O que eu queria mesmo era que essa doença, que o pessoal chamava de amor, matasse todo idiota que se contaminasse!

Na minha cabeça já estava certo: eu não iria me infectar, iria focar na Pós, ganhar experiência de trabalho na área, aceitar uma proposta de trabalho no Canadá (que certamente me ofereceriam), fazer fortuna e fama no exterior, viajar o mundo, voltar pro Brasil rica e aposentada com 25 anos, comprar um flat, me embrenhar pelo meio do mato como hippie, fazer sexo sem compromisso, me embriagar, usar drogas, arrumar alguém com pedigree pra usar numa produção independente… Pronto, viveria feliz e independente para sempre!

Nada de “eu te amo”, nada de “eu te odeio”, nada de poemas nem chororôs em blog pessoal, nada de instabilidade emocional! Eu queria paz! Mas o pessoal da família não entendia, principalmente aquelas tias mais velhas que sempre que me viam soltavam um: “mas porque não ta namorando?”! hum… Como explicar meu planejamento de vida pra tia-avó de 80 anos? Descobri que se tem mais status sendo comprometida do que graduada! Enfim, mesmo com toda a discriminação da sociedade com relação a minha opção relacional, eu já estava decidida: seria independente e feliz!

Foi nesse contexto que se materializou pra mim, direto da internet, o culpado dos meus cânticos nos ônibus! Chegou cheio de descrença no meu discurso e resolveu me desmoralizar! Enquanto eu cuspia minha falação de felicidade sem compromisso, ele me lambuzava de romantismo e carinho. Foi me adestrando devagar, aos pouquinhos. E hoje posso dizer que estou mansinha, mansinha, pagando minha língua venenosa com litros de doçura!

Amo todos vocês: pessoas do meu Orkut, acho que o mundo é colorido e lindo, sonho com casamento e filhos, choro de emoção com filme romântico, torci pra Luan Santana ganhar em Faustão… Enfim, estou legivelmente contaminada e não quero me tratar!

Te amo Felipe

Filhos

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Sou de família católica, fui criada com direito a rituais de batismo, primeira comunhão, missas aos domingos, sinal da cruz no altar, “bença pai, bença mãe”, etc. E assim como todo iniciante numa religião cristã, também tive que conhecer aquela velha e famosa historia de Jesus.

Com o tempo fui crescendo e me desgarrando do resto das ovelhas. Parei de ir à missa, não fiz crisma, não lembro mais os nomes dos quinze apóstolos, ou seja, vocês vão ter que me ajudar aqui com os detalhes.

A história de Jesus Cristo, pelo que me contaram, começou com o anjo Gabriel indo na casa de Maria pra dizer que ela ia ter um filho. Depois Jesus nasce e uma estrela massa aparece no céu pra guiar três reis magos, cheios de presentes pra dar, até o estábulo onde Jesus estava. Daí, Cristo faz trinta e três anos e começa a fazer a cabeça da galera pro pessoal se amar e amar a Deus. O rei fica puto porque Jesus consegue muitos followers e resolve pregar o cara numa cruz. Pregado, sangrando, com fome e dor nas costas, ele morre. Logo depois ressuscita, fala alguma coisa e some pra nunca mais voltar.

Ouvia essa história quando era pirralha e duas coisas me apavoravam muito. Uma era que eu achava uma puta sacanagem o pessoal meter pregos nos criminosos em praça pública e ainda por cima ter platéia pagando camarote pra ver o cara se ferrar! Inadmissível, eu pensava! Mas aí, estreou Jogos Mortais 1 e eu fui assistir por mera curiosidade. Estreou o segundo e novamente fui ver. Quando já estava vendo o sexto percebi que sou meio trabalhada no sadismo também. Não duvido nada que, se eu vivesse naquela época, daria vinagre pra sacanear com o pessoal da cruz.

A outra parte da história, que por sinal era a que mais me apavorava, era a que falava da Virgem Maria. Eu criança, ficava me imaginando na pele de Maria, tendo que explicar pro meu pai aquela história toda de anjo, filho e virgindade. Tinha certeza de que, até que meu filho começasse a fazer milagres, neguinho não acreditaria nem a pau na minha castidade! E isso criou um certo pânico em mim, coisa de começar a rezar pedindo pra Deus nunca mandar anjo nenhum vir me ver.

Depois que eu virei mocinha e descobri em sites adultos como funcionava o lance dos filhos, passei a ter mais medo ainda. Quer dizer que além de Deus, os homens também poderiam me dar filhos? E não para por aí! Vocês sabiam que toalhas, cadeiras quentes e bacias sanitárias também são altamente engravidantes? Pois é, o mundo anda muito fértil, é só vocês olharem nas atualizações do Orkut! E ainda tem gente que acha que eu sou exagerada!

Uma vez, num ônibus lotado, uma criatura do sexo masculino encostou em mim e percebendo meu incômodo falou: “relaxa, amor!” Relaxar? Você sabe quanto eu ganho?  Você sabe quanto custa um colégio? Farda? Livros? Você sabe o que são estrias, varizes, manchas na pele? Você sabe o que é acordar de madrugada todos os dias com um despertador berrando por atenção? Adivinha: eu também não!

Então, quero continuar sem saber! Pelo menos até que sobre dinheiro no fim do mês ou que filhos voltem a multiplicar pães.

 

Daniela Neves

Super Poder

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É notável que a ciência vem evoluindo bastante desde o disquete, passando pelo CD e chegando no chip implantado no cérebro dos recém nascidos asiáticos. Não vai demorar muito pra vermos cientistas inventando uma injeção capaz de multiplicar as características mais evidentes das pessoas em milhares de vezes, criando assim, super heróis com super poderes. Inclusive, não me surpreenderia nada se isso já tivesse acontecido.

Dia desses teve uma vacinação em massa pra uma gripe que devastou o mundo. Aquela gripe que foi noticiada em todos os meios de comunicação, que as pessoas usavam máscaras pra sair de casa e que 90% da população se contaminou e morreu! O pessoal foi correndo se vacinar, mesmo não conhecendo sequer um amigo de algum amigo que tivesse sido infectado.

Não sou de fantasiar as coisas, mas os filmes, seriados e até as novelas estão aí pra mostrar a realidade! Quando a vacina fizer efeito, e vocês começarem a ver cafuçú pagando de Wolverine, puta de mulher maravilha e nerd de mestre dos magos, não venham achar que é carnaval!

E eu falo isso com propriedade porque percebo que o meu super poder já está aflorando! Não estou voando, não solto raio pelos olhos, não roubo força vital com um beijo. Na verdade, se até agora ninguém percebeu o que é, duvido muito que um dia alguém vá perceber!

Desde criança já sabia que era especial. Conseguia me infiltrar em grupos de amigos, brincar por horas, dias, meses, anos, sem nunca ser notada! Meus amiguinhos da infância lembram da cor da meia da professora mas não lembram que estudaram dois anos comigo. A invisibilidade era minha característica principal. Mas crianças são retardadas e não lembram de nada mesmo, certo? Certo!

Uma vez caí na besteira de perguntar a um amigo de ensino médio o que ele lembrava de mim. Depois de muito pensar, ele respondeu: “então, lembro que você era da sala de saúde e sentava com Valter”. Achei normal a resposta porque quando eu perdi meu nome e passei a ser chamada de “namorada de Valter” as pessoas começaram a fazer esse tipo de associação: “se Valter é de saúde, ela deve ter sido de saúde também!” Contudo, eu era da sala de exatas, a mesma sala do animal que cometeu o equívoco, inclusive!

Passando batida na escola e invisível na faculdade, já tinha atinado pro meu dom, resolvi entrar numa pós-graduação.

Primeiro dia de aula com quinze pessoas e apenas quatro meninas, fizemos um círculo, eu sentei do lado da professora. Falamos das nossas vidas, dos nossos planos, demos as mãos, rimos, brincamos, fomos felizes! Segundo dia de aula: chego à sala, a professora me barra, franze a sobrancelha e diz: “é a primeira vez que você vem?”

É fato que a vacina ta surtindo efeito, agora quero saber onde consigo meu morfador e quando vou entrar pra escola de Xavier! Quero aprender a controlar meu super poder pra ficar invisível só de vez em quando. Porque a gente cansa de lidar toda hora com a amnésia das pessoas né?

 

Ah, e meu nome é DanieLA, pra facilitar pra vocês meu nome de super herói vai ser só Dani! ♥

Daniela Neves

O blá blá blá dos Signos

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Sempre achei que não tinha nada haver essa história de astrologia. Eu por exemplo sou de gêmeos, meu signo é tido como o mais desequilibrado e inconstante do horóscopo! Percebem? Não há relação! Contudo, obriguei-me a dar mais crédito a essas baboseiras depois de sofrer preconceito de grande parte do zodíaco.

Não fui uma menina Capricho, não pagava pra ler sobre primeiro beijo, gloss e horóscopo. Minha irmã pagava! Durante os meus quinze anos, só lia alguma coisa nas revistas dela quando o mIRC ficava chato, quando eu me cansava de tentar entender O Universo Numa Casca de Noz ou quando acabava de ler o ultimo lançamento de Harry Potter. E era algo que eu encarava por questões de sobrevivência já que na puberdade daquela época era inadmissível ser uma adolescente BV, CDF e estranha.

Na escola, lembro que o jornal que chegava era devidamente separado nas partes mais importantes: esportes, novelas e horóscopo. A parte de esportes seguia pros meninos que levavam camisas de times pra sala. O restante, novelas e horóscopos, eram, a princípio, fortemente disputados pelas piriguetes, pra só depois parar num canto isolado da sala, onde não existia vida nem amor. Aí eu pegava.

“Seja mais paciente”, “evite fazer dívidas”, “tenha iniciativa”, blá, blá, blá. Com um pouco de bom senso e muita força de vontade qualquer um poderia escrever doze vezes por dia a mesma coisa de forma diferente. Inclusive, duvido que alguém perceberia se depois de uma semana escrevessem o mesmo horóscopo pra signos diferentes.

Os mimimi de auto-ajuda eram só um dos motivos pra eu não levar astrologia a sério. Outro, é que minha irmã, pessoa centrada, metódica, rotineira, com nove anos de namoro nas costas, habita esse mundo carregando o mesmo signo que eu! Segundo a própria, a explicação é que a lua dela é em peixes enquanto que a minha é em escorpião… Pra saber qual é sua lua, você faz uns cálculos usando derivada, física quântica, trigonometria e depois relaciona tudo isso com a posição do sol e a inclinação da maca no momento exato em que você nasceu.

Eu, que não respeitava os planetas nem nunca tinha me esforçado pra entender os conhecimentos milenares da China, achava que todas as principais qualidades e defeitos de cada signo eram características normais das pessoas. E que as piriguetes da minha sala focavam nas qualidades dos signos apenas como forma de se sentirem pertencentes a um grupo: o capaz de excluir e menosprezar signos incompatíveis.

E, por sinal, pude perceber que gêmeos sempre foi um signo incompatível com o da maioria das pessoas. Certa vez, numa mesa de bar, começou-se uma conversa sobre signos. Quando descobriram o meu, a frase que escutei foi a seguinte: ah! É que eu não costumo me dar bem com geminianos.

Alguém de peixes já escutou esse tipo de comentário? Alguém de câncer, escorpião, libra, capricórnio??? Claro que não! Por que, adivinhem, o signo mais desordeiro, superficial e inconstante é (tcharanram): gêmeos!

Pra quem pensa que foi um caso isolado, muito se engana! Já levei fora de canceriano que disse: sorry baby, você é meu inferno astral!

Como todo mundo parece louvar o Deus Zodíaco, decidi que vou passar uma boa impressão logo de cara! Agora, antes de saber o nome da pessoa, vou logo perguntando o signo. E quando você me disser que é de touro, serei virgem! Não me julguem, julguem meu signo, afinal, herdei dele essa capacidade de mutação!

Daniela Neves

Esquizofrenia virtual

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Sabe quando você vai na geladeira pegar a lata de brigadeiro e no meio do caminho sua irmã pergunta onde você enfiou o desodorante, daí enquanto você se esforça pra lembrar, vai esquecendo o que raios você está fazendo na cozinha?

Eu também não costumo esquecer o que eu vou comer, é verdade, muito menos quando se trata de chocolate. Esse foi só um exemplo hipotético pra vocês lembrarem algo parecido que já aconteceu (lembrem, por favor!).

Até aí, tá tudo bem! Um pouco de Alzheimer está por vir e só! Acontece que de ontem pra hoje eu surtei completamente…

Não é surpresa pra ninguém que eu vivo on-line no MSN socializando com milhões de fãs do mundo todo. Pois bem, foi ontem, enquanto conversava com um deles, que tudo começou.

Já estava babando de sono, com aquela dor de cabeça de mulher casada, aí meu MSN começou a conversar por mim. Enquanto meu fã falava comigo o MSN respondia: “sim, certo… ok então, hanram”. Achei estranho, porque não lembrava de ter respondido nada, mas como também não lembro de muita coisa, culpei o sono pelo breve lapso de memória. Foi então que a linguagem começou a ficar culta demais até pra mim: no lugar de “to”, falava “estou”, no lugar de “poizé”, falava “pois é”. Limpei a baba do teclado e acordei de vez.  Foi então que o fake parou de falar! Okay!

Dormi, acordei, lembrei de tudo o que tinha acontecido, mas assim como faço depois de uma noite de cachaça, me forcei a acreditar que foi tudo fantasia da minha cabeça.

E assim como num dia de ressaca, toda a verdade veio à tona! Pessoas apareceram relatando que não conversaram comigo ontem (mas gente, eu tenho histórico de conversa gravada). Pra resumir a história, entrou um Hacker no meu computador, que tá conseguindo, me expliquem como, falar por mim e pelos meus contatos.

Me sinto honrada na verdade, importante até. Porque não tenho cartão de crédito nem nunca comprei nada pela internet, então vejo que o objetivo dele é apenas disseminar o mal. Percebo que temos algo em comum…

De qualquer forma, depois desses episódios fiquei desequilibrada e agora acho que todo mundo que vem falar no MSN na verdade é um teclado eletrônico do mal que quer controlar minha mente pra, sei lá, assistir o BBB.

Então, pra poupar meus últimos três fios de cabelo, eu decidi ficar sem internet por uns 15 minutos. Peço a vocês que, enquanto “eu-fake” estiver on-line, ajam naturalmente, me ignorando como vocês sempre fazem. Quem sabe assim ele num percebe que vocês nem são tão legais e devolve minha sanidade!

Daniela Neves

 

 

P.S.: depois que o post rodou o mundo, um ser abençoado solucionou o mistério e fez minha vida voltar a ter sentido (thanks Tiago)!

como enlouquecer seu amigo: clique aqui (serio mesmo? foi nessa merda q caí???)

Amor de verão

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Pra não ficar por fora dos pagodes desse verão, fui estudar por conta própria. Abri o Youtube e baixei os tutoriais de dança swingueira 2011. Enquanto minha mão resplandecia na cabeça e meu corpo ia no Rebolation, meus olhos se detiveram às sugestões de vídeo do Youtube.

Dentre muitos axés, o Youtube me sugeriu aquela dança famosa de Dirty Dancing, que despertou o sonho de muitas meninas e porque não dizer meninos, que ansiavam durante longas noites pular nos braços musculosos de Patrick Swayze, ou fazer vasos de barro com ele… Bem, me detive na análise do clipe.

Logo apareceram outros nas indicações, aqueles de Grease (nos tempos da brilhantina) com o John Travolta, em que a menininha e o menininho cantam como se conheceram. Aquela paixãozinha inocente de verão, aposto como todo mundo já teve!

Você, menina, que se remoía na cama antes de dormir, pensando naquele seu amorzinho da turma B, se lembra como passou de Backstreet Boys, na calada da noite, pra Rebolation, bêbada em Olinda?

Não me entendam mal, eu não estou aqui fazendo apologia a amor nenhum! Quem tem a minha idade e sabedoria, deve concordar comigo que dinheiro é muito mais importante e saudável! Pois bem, mas verdade seja dita: todos nós já fomos românticos um dia.

E só quem foi romântico um dia, sabe que, por questões de sobrevivência e manutenção da fibra capilar, não pode ser romântico pra sempre. E sim, agora estou levantando a bandeira das pessoas frias e insensíveis, que usam o raciocínio e o instinto pra viverem em harmonia com o sexo oposto.

Ou vocês acham mesmo que é saudável os românticos quererem ser o outro e pensarem que o outro é o paraíso? Não! Ninguém é meteoro da paixão de ninguém, e você não vai conseguir buscar lua nenhuma que brilha lá no céu! Não se iluda, a paixãozinha de verão só é linda quando os dois cantam suas histórias separadamente, como indivíduos únicos que foram criados pra conviverem e não para se fundirem!

E foi cantando minha história que um dia, em um verso incomum, você me pegou bêbada em Olinda, com a mão na cabeça! #oremos

Daniela Neves

p.s.:  meninos, please, voltem a dançar ASSIM

Namoro Virtual

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Olá a todos da sala, me chamo H-tinha18^.^, tenho vinte e dois anos, sou morena, não sou magra nem tenho olhos claros, nunca fiquei com dois meninos ao mesmo tempo nem nunca beijei meninas. Decidi entrar hoje para compartilhar com vocês um pouco de verdade, um pouco da minha história de vida.

Sempre fui mais virtual mesmo, confesso que já até tentei sair com o pessoal da faculdade, ir pra balada, azarar os gatinhos, tomar álcool, injetar drogas, fazer sexo sem compromisso, enfim, ter uma vida normal, mas não dava certo.

Nas baladas, chegavam a mim vários meninos, meninos tão lindos que nenhum avatar já visto poderia se comparar. Chegavam com um sorriso sorrateiro, olhando torto, pegavam pela cintura, jogavam meu cabelo para trás e falavam coladinhos no meu rosto: “me apresenta aquela tua amiga ali”.

Os meninos me viam como uma espécie de atravessadora, e sempre foi assim. Frustrada, decidi investir em um site de encontros. Fiz o cadastro, estufei o peito, murchei a barriga, tirei a foto e caprichei no Photoshop.

Funcionou, conheci um menino chamado engH23solt. Adicionei ele no MSN, Orkut, facebook, twitter, myspace, wordpress, flickr… e nas outras contas que eu tenho. Ficamos muito íntimos, teclávamos todos os dias, passamos a construir uma relação amorosa virtual.

Era tudo perfeito, mas o tempo passou e com isso as coisas foram ficando diferentes. Ele não elogiava mais meu avatar, demorava pra responder quando eu puxava assunto, não comentava mais nas minhas atualizações do facebook. Quando eu perguntava o que estava acontecendo, ele sempre dizia que não tinha tempo pra essas coisas. Eu podia sentir o cheiro de traição emanando de cada caractere que saía dos dedos dele!

Investiguei! Analisei os 548 contatos dele, um por um. Descobri que ele era amigo da ex-namorada do primo do meu vizinho. Olhei o Twitter dela e descobri que tava apaixonada por um tal de @bombadaonu23. Eu que não sou otária nem nada, saquei de cara que esse “23” não poderia ser coincidência! Vi que o @bombadaonu23 tinha 32 followers, dentre eles um menino que estava no facebook do engH23solt. Foi a prova que eu precisava pra acabar com aquele FDP!

Hoje estou sozinha novamente, mas estou muito feliz, me divirto adicionando comunidades no Orkut que mostram o quanto estou bem, como eu sou superior e o quanto ele foi burro em me perder. Colo letras de músicas de amor no Twitter e no meu Nick do MSN, músicas que mostram a realidade da minha vida. Participo de vários quizzes do Facebook, enfim, vivo minha vida normal.

Esse texto foi só pra deixar bem claro a todos que eu já superei o engH23solt ou o @bombadaonu23, ou seja lá qual for o Nick verdadeiro dele. Estou muito feliz, e  não guardo nenhum rancor dele ou melhor: nem penso mais nele, tenho outros em mente. E essa é toda a verdade que tenho pra compartilhar com vocês! Bjs ^^ <3

*baseada em amigos reais

 

Cocadinha